segunda-feira, maio 05, 2014

Pequena crônica sobre a impotência



Era um cachorro preto, vira-latas, de porte médio.
Alguém, num infeliz rito de crueldade, tinha lhe arrancado quase todos os pelos do corpo e todas as camadas de pele que existiam entre pelo e carne.
O encontrei numa esquina escura, em certa madrugada em que eu também sofria pequenas mutilações. Simbólicas, é preciso dizer.
Ele estava de pé, como quem resiste. Mas olhos de cão não foram treinados para esconder tristeza e dor.
Olhou para mim pedindo socorro.
Me aproximei e, com delicadeza e revolta, toquei sua carne exposta e maltratada.
Eu nunca saberia lidar com uma ferida tão grande como aquela.

2 comentários:

Edu Café disse...

E são tantos os cães como esse...

Ana Torres disse...

Muito bom o texto! Trata da impotência como uma dor excruciante e física?eu entendi assim! Continue a escrever gostei muito do seu blog! Vi pelo face hoje ainda mas já li um monte. No face sou ana paula torres, te conheci atraves da cintia qlmeida, mas já faz mto tempo..