sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Saudades de você em Paris

Estávamos ali, nos arredores do Sena. Era primavera. Nossa estada na cidade chegava ao fim.
- Já estou com saudades de você em Paris- Ela disse.
Eu ri.
- Você já está com saudades de Paris. – Retruquei. – Eu sou apenas um detalhe decorativo dentro desse sonho que é estar aqui. Sou só parte de uma bela metáfora.
Ela ficou brava. Argumentou que sem mim a viagem não teria graça; que minha presença dava sentido a tudo.
Fiz silêncio, enquanto um vento bonito fazia com que nossos cabelos ficassem mais poéticos.
Tudo bem, ela teria saudades de mim em Paris. Mas seria sem Paris que eu voltaria para casa com ela. E eu, sem Paris, reclamaria de ter de acordar cedo para ir para o aeroporto. Eu, sem Paris, continuaria tendo surtos de mau- humor diante de cada segundo de atraso dos voos. Surtaria também por causa do desconforto das poltronas do avião, por causa do cansaço das 11 horas de viagem. Eu, sem Paris, construiria meu muro de lamentações por causa do preço do taxi e reclamaria muito, muito da poeira acumulada na casa, fechada há semanas.
E ela me teria assim, por quanto tempo quisesse,mas sem Paris. E não teria saudades, aposto, a menos que nos separássemos por dias, semanas ou meses, provocando, com o afastamento, aquele efeito mágico que faz todos os nossos defeitos desaparecerem.

E pensando em todas essas coisas, tive medo. Medo de que ela deixasse de me amar por causa de algum gesto bobo meu, com o qual, de repente, implicasse. Da mesma forma como alguns gestos bobos da pessoa que a gente ama podem também, ao contrário e inexplicavelmente, encher cada vez mais nosso coração de ternura; da mesma forma, inversamente proporcional, como ela, de um jeito muito bonitinho,derrete meu coração todo, quando chama biscoitos waffer de mirabel.

Um comentário:

Mirelle Vieira disse...

Gentee como eu gosto de vim aqui... acho que vou imprimir todos os textos e encadernar. Já que esse best seller ta custando pra sair vou fazer meu próprio livro... rsrsrs